domingo, 24 de agosto de 2008

" A Imagem" de Octavio Paz // Por Marcela Falcão


Todo poeta quando organiza palavras (matéria inerte) cria imagens próprias, que são a capacidade de ver o mundo de formas diferentes. O poeta anuncia a possibilidade do vir a ser, no âmbito da imagem tudo é possível. Em contrapartida encontramos a ciência, tida como causadora do empobrecimento do mundo com suas teorias lógicas. Os poemas não deixam de lado as particularidades de cada imagem criada, por isso distanciam-se do pensamento racional e linear dos ocidentais, do mundo em que existe uma constante busca pelo real, pelo confrontamento entre “isto e aquilo”, é uma tentativa desesperada de auto-descobrir o homem.
A linguagem carrega consigo infinitos significados que exemplificam esse pensamento da linearidade, entretanto, a imagem diz aquilo que essa linguagem não é capaz de dizer, transcendendo o comum, diz o “indizível”. Os diversos significados não desaparecem, ela reúne todos eles sem deixar nenhum de lado, criando novas existências, colocando a sua própria existência como ponto de partida, não descreve e sim coloca a nossa frente, proporciona mergulhar em nós mesmos, buscando nossos próprios sentidos. Esses sentidos então, podem ser compreendidos como a própria imagem, encerrando assim o princípio de que ela mesma se explica. Porém, o homem oferece resistência a esse mergulho, porque ainda não possui a capacidade de aguçar sua sensibilidade poética a fim de não se restringir à incessante busca por sentidos para tudo que o rodeia.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

"A Imagem" de Octavio Paz // Por Tailane Marques

O texto “A Imagem” de Octavio Paz discute a imagem e suas diversas significações, podendo ser ela definida como vulto ou representação, real ou irreal tratando-se da imaginação, e usada para designar toda forma verbal, frase ou conjunto de frase que o poeta diz e que unidas compõem um poema.
Usando plumas e pedras como exemplo, Octavio explica que a imagem submete-se á unidade da pluralidade do real, aproximando entre si, realidades opostas. Onde duas coisas distintas perdem sua total qualidade e autonomia, devido à operação unificadora da ciência, que as mutila e empobrece-as. Já na poesia isso não ocorre devido a total liberdade do poeta para anunciar a contrariedade de identidade, buscando na dialética, uma forma de explicar um raciocínio que a lógica não explica. No âmbito da poesia, tudo pode ser e não ser ao mesmo tempo.
Ainda se tratando do ser e não ser, Octavio cita o ocidente com sua forma de visão mais nítida das coisas, onde o ser não pode ser o não-ser e o oriente que não se firma “no isto ou aquilo”, e não sofreu com esse horror do que é e não é ao mesmo tempo.
Finalizando Octavio explica que a imagem nos convida a recriá-la e a revivê-la e que nela o homem é convertido em imagem, isto é, em espaço onde os contrários se fundem.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Comentário do texto "A Imagem" de Octavio Paz // Por Larissa Sobral



Octavio Paz em seu texto, coloca em questão a multiplicidade da palavra imagem, podendo ser real ou imaginária, ela se torna algo muito mais que uma representação visual de um objeto, constituindo um modo próprio de pensar. O autor afirma que qualquer objeto que tenha uma pluralidade de qualidade, essa tal pluralidade se resume numa só no exato momento da percepção, quando passamos a reconhecer o objeto. Decerto todas as coisas possuem um sentido, sendo ele o elemento unificador da diversidade de qualidade e formas. Quando se fala de sentido da imagem a reflexão é mais profunda, pois é um caso a parte, o sentido da imagem é a própria imagem, é algo indizível, não existindo diferença entre sentido e imagem, ela se auto-explica, a imagem vai além do conceito adquirido ou gerado pelos humanos, ela não precisa de explicações, ela basta por si só, meche com o lado imaginário e sentimental de quem a observa, fazendo mergulhar num conjunto de idéias inexplicáveis, a fim de entender os sentidos paradoxais existentes. “A imagem não explica: convida-nos a recriá-la e, literalmente, a revivê-la” (Octavio Paz, 2005, pag. 50), conforme o texto, no incrível mundo da poesia e da imagem, podemos tudo, até mesmo ser e não ser ao mesmo tempo.

Comentário ao texto de Octavio Paz // Por: Laiz Dias


Paz, Otávio. Signos em rotação. São Paulo: Perspectiva, 2005, 37-50 p.

Considerada como a cifra da condição humana, a imagem é o tema central do texto desenvolvido por Octavio Paz. Ele afirma que toda imagem aproxima ou conjuga realidades opostas, indiferentes ou distanciadas entre si. E coloca em debate a linha de pensamento oriental e ocidental, para que todos possam enxergar os contextos em que as diversas origens de interpretações sobre determinadas imagens possam ser encontradas.
De acordo com Octavio Paz, a imagem diz o indizível, ou seja, enquanto a linguagem tende a seguir uma direção mais limitada e que exprime o absoluto, ela não possui a capacidade de representar exatamente o que uma determinada imagem quer transcender. Isso porque, a imagem é uma frase em que a pluralidade de significados não desaparece. A imagem recolhe e exalta todos os valores das palavras, sem excluir os significados primários e secundários, o que é mais difícil na linguagem. “As orações e frases são meios. A imagem não é meio; É sustentada em sim mesmo, ela é seu sentido.” p.48
Pensamentos como esses que explicam a natureza da imagem poética e sua relação com pensamento oriental. Nas doutrinas orientais, reiteram que a oposição entre isto e aquilo é, simultaneamente, relativa e necessária, mas que há um momento em que cessa a inimizade entre os termos que nos aparecem excludente, e o verdadeiro sábio seria aquele que despreza o isto e o aquilo, e pedras e plumas se fundem.